11/08/2026
Gazeta do Consumidor»Notícias»Petroleira dos EUA gera crise na Groenlândia

Petroleira dos EUA gera crise na Groenlândia

Petroleira dos EUA gera crise na Groenlândia

A empresa americana Greenland Energy gerou polêmica ao desembarcar, sem autorização, equipamentos para perfurações exploratórias na costa leste da Groenlândia, território autônomo dinamarquês cobiçado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A companhia texana, que nega ter vínculos com as ambições territoriais de Trump, afirma que a ação foi apenas uma etapa preparatória para atividades de exploração em Nunap Qeqqa (Jameson Land). A empresa não respondeu aos pedidos de informação da AFP, mas disse à imprensa que acreditava que a autorização para desembarcar e armazenar os equipamentos, que estavam em outra parte da Groenlândia, só seria necessária dentro da área coberta pela licença.

O diretor-geral da Greenland Energy, Roderick McIllree, reconheceu o erro no fim de julho à emissora pública dinamarquesa DR. “Foi um erro da nossa parte, um erro que não voltará a acontecer”, afirmou. Atualmente, o material está armazenado em um hangar do aeroporto de Nerlerit Inaat, perto de Ittoqqortoormiit, a localidade mais próxima da área da licença.

A empresa, cujo presidente é descrito como próximo a Trump, recebeu uma “severa advertência” do governo groenlandês. O governo também lembrou que todas as futuras operações logísticas deverão ser notificadas e aprovadas pela autoridade competente antes de serem realizadas.

A possibilidade de uma empresa dos EUA iniciar operações de exploração de hidrocarbonetos gera desconforto em um momento em que Trump manifesta o desejo de “controlar” a ilha do Ártico. “Existe uma sensação difusa de que há uma conexão com Trump”, explica Ulrik Pram Gad, pesquisador do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais (DIIS). “Isso gera ansiedade e tensões, especialmente porque, com Trump, pode-se esperar qualquer coisa”, acrescenta.

Para Anne Merrild, professora da Universidade de Aalborg e especialista no Ártico, a empresa não melhorou suas chances diante das autoridades groenlandesas com o desembarque sem autorização. Em 2021, o governo da Groenlândia, responsável pela gestão de seus recursos naturais, decretou uma moratória sobre a exploração e a extração de hidrocarbonetos no território. As licenças da Greenland Energy, porém, foram concedidas anteriormente, em 2015 e 2018, e continuam válidas.

“Uma das condições para manter a licença é explorar ativamente a área — algo que atualmente não acontece —, por isso a empresa está sob pressão”, lembra Pram Gad. As atividades dependem de autorizações específicas, e a empresa ainda espera a aprovação definitiva para iniciar as perfurações e determinar o potencial de uma possível jazida. Os preparativos precisam ser acelerados por causa das condições difíceis do Ártico.

Em carta aos acionistas, a Greenland Energy afirmou que está “encorajada pelos avanços” para obter as últimas autorizações. O governo da Groenlândia, porém, é menos otimista. O ministro das Relações Exteriores, também responsável pelos recursos naturais, declarou à emissora groenlandesa KNR que considera irrealista a empresa perfurar no outono. Os estudos ambientais e sociais necessários para a aprovação do projeto ainda não foram apresentados.

Os moradores da região dependem da natureza para sobreviver, sendo caçadores e pescadores. A perfuração provocaria perturbações e o aumento das atividades humanas teria impacto sobre a fauna. Em Ittoqqortoormiit, mais de 100 pessoas, de uma população de 325 habitantes, se manifestaram contra o projeto em meados de julho. O Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia (GEUS) estima que a região possa abrigar 2,35 bilhões de barris equivalentes de petróleo, um volume considerável para um projeto petrolífero, embora limitado em comparação com as reservas mundiais.

Sobre o autor: Equipe Editorial

Equipe que atua em conjunto na criação e revisão de textos com foco em clareza, contexto e relevância.

Ver todos os posts →
Mapa do portal