02/08/2026
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FIFA desiste de privatizar Copa do Mundo após 7 crises

FIFA desiste de privatizar Copa do Mundo após 7 crises

A FIFA recuou em um dos projetos mais ambiciosos e polêmicos de sua história recente. O presidente Gianni Infantino pretendia criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa privada que controlaria os direitos comerciais e de transmissão dos principais torneios da entidade, como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A proposta previa a abertura de espaço para investidores privados e, em troca, a promessa de aumentar os repasses às 211 federações filiadas, que passariam de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões, com promessas que chegavam a US$ 40 milhões.

A ideia de privatizar o maior patrimônio do futebol gerou uma crise sem precedentes. A entidade foi forçada a abandonar o plano por sete motivos principais.

Divisão interna e pressão externa

O primeiro motivo foi o racha na governança do futebol. O próprio Infantino admitiu que o projeto criou divisões internas irreparáveis, enfraquecendo a gestão global da entidade. O segundo foi a ameaça de boicote da UEFA. A entidade europeia avisou que, se a FIFA privatizasse os direitos comerciais, os países europeus poderiam não participar das competições, o que reduziria o valor da Copa do Mundo.

O terceiro motivo foi a rejeição em bloco das confederações. Concacaf e AFC (Ásia) se posicionaram contra a proposta publicamente, enquanto Conmebol, CAF (África) e OFC (Oceania) exigiram explicações e travaram o andamento do plano. Sem o apoio dos continentes, a proposta perdeu viabilidade política.

Crise na cúpula e suspeitas éticas

O quarto motivo foi a renúncia de Carlos Cordeiro, assessor de confiança de Infantino, em protesto contra a criação da FFE. A saída dele mostrou que a resistência existia dentro da própria entidade. O quinto motivo envolveu suspeitas de “compra de votos”. A promessa de aumentar os repasses financeiros, acompanhada por documentos vazados com ofertas de até US$ 40 milhões, levantou questionamentos éticos sobre o uso do dinheiro para obter apoio político.

O sexto motivo foi o isolamento político. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou publicamente ter discutido a proposta com Infantino, o que desmontou a tentativa da FIFA de usar líderes globais para dar credibilidade ao projeto. O sétimo motivo foi a perda do propósito institucional. A proposta focou tanto na rentabilidade que descaracterizou o papel da FIFA, que é desenvolver o futebol mundial de forma equilibrada, e não entregar o controle do seu maior ativo ao mercado privado.

Agora, com o recuo forçado, Infantino prometeu reunir confederações e federações nas próximas semanas para buscar caminhos alternativos. O desafio é encontrar uma forma de socorrer financeiramente as federações menores sem abrir mão do controle da Copa do Mundo.

Sobre o autor: Equipe Editorial

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