Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. O encontro durou três horas e abordou temas como combate ao crime organizado, tarifas comerciais, minerais críticos e a regulação de grandes empresas de tecnologia.
Ministros presentes avaliaram a reunião como positiva. “Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, disse Lula em entrevista na embaixada brasileira.
Um dos objetivos do governo brasileiro era entregar uma proposta de cooperação em segurança pública, incluindo o combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro. O documento foi entregue em inglês a Trump. “Ele disse que ia ler a proposta à noite”, afirmou Lula.
O governo brasileiro teme que os EUA classifiquem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Lula, no entanto, disse que o assunto não foi tratado na reunião.
Houve divergências sobre tarifas comerciais. “O Brasil teve um déficit de US$ 14 bilhões com os Estados Unidos. Então, ele sempre acha que nós cobramos muito imposto. A média do imposto que nós cobramos é 2,7%”, disse Lula, contestando o argumento de Trump. Para resolver o impasse, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho.
Lula afirmou que não considera adequado um presidente estrangeiro interferir em eleições de outros países. “Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente do mundo. Isso é um assunto brasileiro”, declarou.
O presidente brasileiro entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras com vistos negados pelos EUA. A lista inclui ministros do STF e a filha de 10 anos do ministro Alexandre Padilha (Saúde). Lula mencionou o PL da dosimetria, aprovado pelo Congresso, que pode reduzir penas de condenados pelo 8 de Janeiro. “Quem sabe o Trump reconheça a necessidade de liberar o visto dos brasileiros”, disse.
Sobre minerais críticos, Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser apenas um exportador. O país está aberto a parcerias com EUA, China, Alemanha e França. Em relação às big techs, Lula negou que o Brasil proíba plataformas americanas. “Entra qualquer plataforma de qualquer país do mundo no Brasil, sob a regulamentação soberana do Brasil”.
Lula se ofereceu para mediar conversas entre EUA e Cuba e criticou o bloqueio econômico a Havana. Segundo ele, Trump sinalizou que não pensa em invadir a ilha. “Cuba quer dialogar, quer encontrar uma solução para pôr fim a um bloqueio que nunca permitiu ao país se desenvolver plenamente”, afirmou.
Em um momento de descontração, Lula brincou com Trump sobre a Copa do Mundo, pedindo que ele não anule os vistos dos jogadores brasileiros. “Nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse Lula, que afirmou que o republicano riu.
Durante o almoço, Lula contou que Trump reclamou de laranja na salada e foi visto tirando a fruta do prato. O presidente brasileiro classificou a relação com Trump como “sincera” e com “química”. “Sabe aquela história de amor à primeira vista? Aquele negócio da química? É isso que aconteceu”, concluiu.
