01/08/2026
Gazeta do Consumidor»Notícias»STF autoriza inquérito contra Lulinha por cannabis medicinal

STF autoriza inquérito contra Lulinha por cannabis medicinal

STF autoriza inquérito contra Lulinha por cannabis medicinal

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), questionou nesta quinta-feira (30) a abertura de um inquérito autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o advogado criminal Guilherme Suguimori Santos, a medida pode ter interesse político por trás.

O pedido partiu da Polícia Federal na última sexta-feira (24). Os investigadores querem apurar crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, com ligações no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência.

Em nota, o advogado de Lulinha afirmou que “se queriam achar algo e não acharam, não podem criar uma nova teoria para começar tudo de novo, esticando essa história até as eleições”. Ele também disse que a investigação não pode ser um exercício de tentativa e erro.

“Tentam achar ‘x’, como não acham, tentam ‘y’, e se não acharem vão inventar ‘z’. Isso configura o que chamamos de pescaria probatória, que é ilegal e escancararia o interesse político por trás dessa movimentação peculiar”, declarou.

Lulinha atua no ramo em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O pedido de abertura de inquérito também cita contatos entre os alvos e servidores, inclusive do gabinete de Lula.

Uma das linhas investigadas é a de que Lulinha teria atuado com Roberta no mercado de canabidiol a favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS. A defesa do filho do presidente afirmou que não tem conhecimento do inquérito.

“Não vi essa notícia nos autos, não vi documentos, não vi fundamentos”, disse Suguimori Santos. Ele acrescentou que é preciso entender a justificativa para o caso ser de competência do STF, que analisa processos de pessoas com foro privilegiado.

O advogado também afirmou que uma nova investigação alheia à Operação Sem Desconto mostraria que houve falha em encontrar alguma ligação entre Fábio Luís e as fraudes do INSS. “Fábio nunca teve relação nenhuma com esse escândalo”, completou.

Bruno Salles, advogado de Roberta, disse não ter informações sobre a instauração de um novo inquérito. Ele afirmou que os fatos relatados já foram objeto de investigações em andamento e que não haveria razão para um novo procedimento.

“Em todos os meus anos de carreira, essa seria a primeira vez que eu veria uma investigação em melhor de três: quando não se encontra nada na primeira, tenta-se novamente até conseguir algum elemento que possa ser explorado politicamente”, afirmou.

Ele também disse que não faz sentido reabrir uma investigação envolvendo o filho do presidente às vésperas de um processo eleitoral. A defesa de Antonio Carlos Camilo afirmou não ter conhecimento sobre o tema.

O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Em depoimento à CPI do INSS, ele disse ser um empresário cuja prosperidade é “fruto de trabalho honesto e dedicado” e que não possui “patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita”.

Os investigadores da PF querem autorização para compartilhar provas colhidas na Operação Sem Desconto, que mira uma quadrilha responsável por desvios no INSS. O pedido de investigação foi remetido ao STF durante o recesso do Judiciário.

O caso foi analisado por Alexandre de Moraes, que substituía Edson Fachin na presidência da corte em regime de plantão. Ele pediu um parecer da Procuradoria-Geral da República, que afirmou que as quebras de sigilo “revelaram a prática de crime” sem relação com a Operação Sem Desconto.

A PGR opinou pelo sorteio de um novo relator para o caso. O sorteado foi André Mendonça.

Sobre o autor: Equipe Editorial

Equipe que atua em conjunto na criação e revisão de textos com foco em clareza, contexto e relevância.

Ver todos os posts →
Mapa do portal