16/08/2026
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Paris: roteiro de luxo pelo surrealismo gastronômico

Paris: roteiro de luxo pelo surrealismo gastronômico

Paris é uma cidade feita para ser explorada a pé, mas atravessar as portas do Hôtel Le Meurice muda completamente a experiência. Inaugurado em 1835, o local é conhecido como o “hotel dos artistas”. Foi lá que Pablo Picasso celebrou seu casamento e onde Salvador Dalí morou por mais de vinte anos, com direito a excentricidades como andar de Harley-Davidson na suíte presidencial ou pedir ovelhas vivas no quarto. O hotel segue no centro da cultura pop, tendo recebido até Jay-Z e Kanye West como estúdio.

Em homenagem a Salvador Dalí

Para quem busca serviços impecáveis, uma das experiências mais interessantes é o restaurante Le Dalí, no coração do hotel. O ambiente chama atenção: o designer francês Philippe Starck reformulou o espaço, misturando a opulência clássica do estilo Luís XVI com toques contemporâneos e distorções surrealistas que homenageiam o pintor espanhol. O teto tem uma imensa lona pintada à mão por Ara Starck, filha do designer, que se reflete nos espelhos inclinados e nas cadeiras descombinadas do salão. À noite, um piano ao vivo dá o tom ao ambiente.

Sob a direção de Alain Ducasse e o trabalho da chef Clémentine Bouchon, o menu do Le Dalí aposta na culinária francesa sazonal, com filosofia do campo para o garfo. O restaurante tem o selo Écotable, que reconhece seu compromisso com a gastronomia sustentável, usando 95% de ingredientes de produtores locais.

O cardápio vai do tradicional risoto de frutos do mar ao arancini, passando pelo filé de peixe Sole meunière com espinafre. A confeitaria é um dos segredos do lugar. A boutique do chef pâtissier Cédric Grolet, eleito o melhor do mundo e fenômeno no Instagram, costuma ter filas quilométricas nas calçadas de Paris. No Le Dalí, as esculturas comestíveis em formato de frutas e clássicos como o Saint-Honoré e a torta de pistache de Grolet são servidos à mesa, como encerramento das refeições.

Outra atração é o Afternoon Tea, reformulado com uma pegada contemporânea. O serviço inclui sanduíches finos, como lobster roll e brioche com salmão e caviar, além de uma seleção das frutas esculpidas da temporada. O restaurante do Hotel Le Meurice, integrante da Dorchester Collection, é um dos mais concorridos de Paris e uma boa dica para viajantes que apreciam alta gastronomia.

O esplendor revisitado

Ninguém precisa de motivo para caminhar pela Avenue Montaigne, em Paris. Mas cruzar os portões do histórico Hôtel Plaza Athénée hoje significa ver uma das maiores revoluções gastronômicas da Europa. Quando o chef Jean Imbert assumiu as cozinhas do palácio, no lugar de Alain Ducasse, o mundo da alta cozinha ficou atento. O resultado: o Jean Imbert au Plaza Athénée manteve o prestígio e ainda conquistou uma estrela Michelin, unindo luxo aristocrático e frescor contemporâneo.

O salão Régence, redesenhado por Rémi Tessier, aposta no maximalismo real francês, com teto de ouro feito com mais de 20 mil folhas de ouro, refletindo a luz dos lustres de cristal originais de 1913. No centro, uma mesa de 12 metros esculpida em um único bloco de mármore rosa Breccia, com castiçais antigos e arranjos florais. A louça é de porcelana Limoges, os talheres de prata Christofle e as taças de cristal Baccarat.

Enquanto o mundo caminha para a simplificação, Jean Imbert fez o oposto: pesquisou a história da gastronomia francesa para recriar banquetes imperiais. Com os chefs executivos Jocelyn Herland e Mathieu Emeraud, o menu prioriza pequenos produtores locais franceses e frutos do mar pescados na Bretanha.

Espetáculo teatral

O fim do jantar é um espetáculo à parte. Um sino toca, as luzes se apagam e uma janela se abre, mostrando os confeiteiros finalizando os pratos diante dos clientes. Comandado por Angelo Musa e Elisabeth Hot, o encerramento traz joias como a Crêpe Soufflée flambada com Grand Marnier na mesa e o extravagante Grand Dessert.

O Hôtel Plaza Athénée foi inaugurado em 20 de abril de 1913, no número 25 da Avenue Montaigne, no coração do Triângulo de Ouro de Paris. O palácio é famoso pela fachada neoclássica com toldos e gerânios vermelhos. Projetado pelo arquiteto Charles Lefebvre, o hotel ganhou na década de 1930 o restaurante Le Relais Plaza, em estilo Art Déco, inspirado no navio transatlântico SS Normandie.

O destino do Plaza Athénée mudou em 1947, quando Christian Dior abriu sua primeira maison na mesma rua. Dior considerava o hotel seu segundo lar e usava os salões para fotografar coleções e hospedar clientes ricas.

Sobre o autor: Equipe Editorial

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