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Prótese de ombro: quando é indicada e o que o plano cobre

Prótese de ombro consta no rol da ANS, e a reversa devolve o braço a quem tem o manguito rompido.

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Médica mostrando radiografia a paciente em consultório

Uma aposentada de 71 anos, em Ceilândia, chegou ao consultório com a radiografia numa mão e a carta do plano de saúde na outra. A imagem mostrava artrose avançada, com a cartilagem do ombro consumida e o osso raspando no osso; a carta negava a cobertura da prótese de ombro por "ausência de indicação". Ela não conseguia mais lavar o cabelo nem dormir sem acordar de dor. Prótese de ombro é uma cirurgia menos conhecida que a de quadril e joelho, e por isso mesmo mais questionada pelas operadoras, e um especialista em ombro passa parte da consulta explicando quando ela é indicada e o que a lei garante ao paciente.

No ombro, a artrose chega mais tarde que no joelho, porque o ombro não sustenta o peso do corpo, mas quando chega compromete tarefas básicas. Este texto explica quando a prótese entra, quais tipos existem, como a reversa mudou o tratamento de idosos, o que esperar da recuperação e da durabilidade, e quais são os direitos de quem tem convênio ou depende do SUS.

O que é a prótese de ombro e quando ela entra

O implante substitui as superfícies desgastadas da articulação por componentes de metal e polietileno: uma esfera no lugar da cabeça umeral e uma cavidade no lugar da glenoide. É indicada quando a dor e a perda de função não respondem mais ao tratamento conservador, e a imagem mostra desgaste avançado.

As causas mais comuns são a artrose primária, a artropatia por ruptura antiga do manguito rotador, a artrite reumatoide, a necrose da cabeça do úmero e as fraturas graves em idosos.

Em idade, o paciente típico passa dos 65 anos, mas pacientes mais jovens com destruição articular também são candidatos, com atenção à durabilidade.

Tipos de implante e para quem cada um serve

Na tabela abaixo estão os tipos em uso e o perfil de paciente de cada um.

TipoComo funcionaPara quem
Anatômica totalReproduz a anatomia: esfera no úmero, cavidade na escápulaArtrose com manguito rotador íntegro
HemiartroplastiaSubstitui só a cabeça umeralNecrose da cabeça e algumas fraturas, com cavidade preservada
ReversaInverte a anatomia: esfera na escápula, cavidade no úmero; o deltoide passa a levantar o braçoArtrose com manguito rompido, fraturas graves em idosos, revisões
De recapeamentoCobre a cabeça do úmero com uma calota, preservando ossoPacientes mais jovens com artrose localizada
Sem hasteComponente do úmero fixado sem haste no canal do ossoOsso de boa qualidade, para facilitar revisão futura

Hoje a reversa é a mais implantada em idosos, porque não depende do manguito, que costuma estar desgastado nessa faixa etária.

O caminho até a decisão

Operadoras e auditorias esperam ver documentada uma ordem de passos até a indicação.

  1. Diagnóstico por radiografia, que mostra a perda do espaço articular, e por tomografia, que avalia o osso da cavidade para o planejamento.
  2. Avaliação do manguito rotador por ressonância ou ultrassonografia, que define entre prótese anatômica e reversa.
  3. Tratamento conservador documentado: fisioterapia, analgesia e, quando indicado, infiltração, por meses.
  4. Registro da limitação funcional: dor noturna, incapacidade de vestir-se, pentear-se, levantar o braço.
  5. Avaliação clínica pré-operatória e controle de diabetes, tabagismo e infecções.
  6. Pedido de autorização ao plano com relatório completo, ou encaminhamento pela regulação do SUS.

Como é a cirurgia e a recuperação

Em sala, a cirurgia dura de uma a duas horas, com anestesia geral associada a bloqueio do plexo braquial, e a internação é de um a dois dias. O braço fica em tipoia por três a seis semanas, com movimento passivo iniciado nos primeiros dias.

Na prótese reversa a recuperação é mais rápida: muitos pacientes comem e se vestem sozinhos em duas a três semanas e levantam o braço acima da cabeça em dois a três meses. Na anatômica, a proteção do reparo do subescapular alonga a fase inicial.

Depois vêm três a seis meses de fisioterapia, e o resultado final é medido em um ano: alívio da dor em mais de nove em cada dez pacientes e função para as atividades diárias.

Durabilidade e limitações

As próteses atuais duram mais de uma década em cerca de 90% dos casos, e boa parte passa de 15 anos. A reversa impõe algumas restrições permanentes: evitar carga acima de cinco quilos repetida com o braço elevado, esportes de impacto e movimentos de apoio com o braço estendido, para não soltar os componentes.

Entre as complicações, as mais relevantes são infecção, instabilidade, soltura e, na reversa, o desgaste da borda da escápula, todas com frequência baixa em centros com experiência.

Revisão de prótese é possível, mas mais complexa, e é por isso que a indicação em pacientes jovens é feita com cautela.

O que o plano de saúde é obrigado a cobrir

A artroplastia de ombro consta no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar, com cobertura obrigatória nos planos com segmentação hospitalar, incluindo a prótese e os materiais ligados ao ato cirúrgico. O plano pode pedir relatório e exames, e pode oferecer marcas alternativas de prótese, mas não pode negar o procedimento indicado pelo médico assistente com base em critério próprio.

Desde 1998, a Lei 9.656 proíbe a exclusão de próteses e órteses ligadas ao ato cirúrgico, e a negativa de cobertura de material indispensável é uma das causas mais frequentes de decisão judicial contra operadoras.

Em caso de recusa, o paciente registra reclamação na ANS, pede a resposta por escrito com a justificativa e, se necessário, busca a Justiça, onde tutelas de urgência costumam ser concedidas em dias quando há laudo médico claro.

Como é pelo SUS

No SUS, a prótese de ombro é feita em hospitais de referência em ortopedia, por regulação a partir da unidade básica ou do ambulatório de especialidade. O tempo de espera varia muito entre estados e é maior que o de quadril e joelho, por haver menos serviços habilitados.

O paciente pode acompanhar a posição na fila pela central de regulação do estado e, em caso de demora que agrava a condição, a Defensoria Pública pode atuar.

Manter a fisioterapia e o controle da dor durante a espera preserva a função para o pós-operatório.

Perguntas frequentes sobre prótese de ombro

Quando o implante é indicado?

Quando a artrose ou a destruição articular causa dor e limitação que não respondem a fisioterapia, remédio e infiltração, com desgaste avançado na imagem.

Qual a diferença entre anatômica e reversa?

A anatômica reproduz a articulação e exige manguito íntegro. A reversa inverte as superfícies e usa o deltoide para erguer o braço, servindo a quem tem o manguito rompido.

Quanto tempo dura a prótese?

Mais de uma década na maioria, com muitas passando de 15 anos. Idade, atividade e tipo de prótese influenciam.

O plano pode negar a prótese?

Não pode negar procedimento do rol da ANS indicado pelo médico assistente nem excluir o material ligado à cirurgia. Pode oferecer marca alternativa equivalente.

Vou conseguir levantar o braço depois?

Na maioria dos casos, sim, até a altura da cabeça ou acima, em dois a três meses na reversa. Rotação e força total dependem do manguito remanescente.

Posso fazer musculação com a prótese?

Exercícios leves e orientados, sim. Carga alta acima da cabeça e esportes de impacto são evitados para proteger a fixação.

Resumo

A prótese de ombro substitui a articulação destruída por artrose, artropatia do manguito, artrite, necrose ou fratura grave, quando fisioterapia, medicação e infiltração não bastam. A anatômica exige manguito íntegro; a reversa, hoje a mais usada em idosos, funciona com o deltoide e recupera a função em semanas. A durabilidade passa de uma década na maioria, com restrições de carga. O plano de saúde é obrigado a cobrir a cirurgia e a prótese pelo rol da ANS e pela Lei 9.656, e a negativa tem recurso na agência e na Justiça; no SUS, o acesso é por regulação, com espera maior.

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