14/08/2026
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Jatinho de Vorcaro segue voando após prisão e usa Paraguai como base

Jatinho de Vorcaro segue voando após prisão e usa Paraguai como base

Um avião da frota pessoal de Daniel Vorcaro segue operando entre América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio mesmo depois da prisão mais recente do ex-banqueiro, ocorrida em 4 de março deste ano. Desde então, foram 16 voos internacionais.

Em todas as viagens, o ponto de partida ou de chegada foi Assunção, capital do Paraguai. Segundo dados de localização da aeronave, o jatinho não passou pelo Brasil em nenhum momento. A defesa de Vorcaro não explicou os motivos do uso do avião, e não há registros públicos sobre os passageiros.

Enquanto Vorcaro negociava uma delação premiada na prisão, em Brasília, a aeronave passou por cidades como Nova York, Mônaco e Dubai. O jato, de prefixo PR-PSE, foi comprado por Vorcaro em junho de 2023 por cerca de R$ 120 milhões e está registrado em nome da Viking, holding patrimonial do ex-banqueiro.

A matrícula da aeronave tem duas ordens judiciais determinando seu bloqueio, o que impede a venda ou transferência do bem. Também não há informações no Registro Aeronáutico Brasileiro de que o avião tenha sido sublocado.

O Gulfstream GV-SP, fabricado em 2010, era o mais caro da frota da Viking, que tem três aeronaves. Vorcaro usava o jato com frequência, tanto para deslocamentos próprios quanto para empréstimos a terceiros.

A aeronave está fora do Brasil desde 20 de agosto de 2025, meses antes da primeira prisão de Vorcaro. Na ocasião, o jato saiu de Belo Horizonte, cidade natal do ex-banqueiro, com destino à Flórida. A primeira prisão e a liquidação do Banco Master ocorreram em 18 de novembro.

Especialistas em direito aeronáutico ouvidos pela reportagem avaliam que o atual usuário do avião, seja quem for, pode estar evitando o Brasil com receio de que o jato seja apreendido pela Polícia Federal, que investiga possíveis crimes de Vorcaro.

Dez dias após a prisão de Vorcaro, em 14 de março, o jato saiu da Flórida rumo a Assunção, que se tornou sua nova base. Antes disso, a aeronave estava no aeroporto de Fort Lauderdale desde 15 de janeiro, onde ficou dois meses parada.

Depois de chegar a Assunção, a atividade do jatinho aumentou. Em 16 de março, ele voltou a Miami e retornou a Assunção em 20 de março. No dia 24 de março, seguiu novamente para Miami, onde permaneceu até 19 de abril. Nesse dia, o avião voou para Paris, com paradas em Barbados e Hannover. Em 22 de abril, deixou a capital francesa e voltou a Assunção.

Em 28 de abril, fez novo voo de Assunção para Nova York. Dois dias depois, seguiu de Nova York para Dubai, com parada em Malta. A primeira prisão de Vorcaro, em 18 de novembro de 2025, ocorreu quando ele embarcava para Dubai. O plano de voo informava Malta como destino, onde o avião seria abastecido antes de seguir para a península Arábica.

O jato foi até Dubai e retornou a Assunção em 6 de maio, com parada em Luanda, capital de Angola. Em 9 de maio, partiu para Nova York. Cinco dias depois, deixou a cidade americana rumo a Anguilla, no Caribe, onde ficou por três dias antes de voltar a Assunção em 17 de maio. Em 28 de maio, a aeronave seguiu para Mônaco, de onde retornou em 3 de junho. A última viagem ocorreu em julho, com destino à Filadélfia, nos Estados Unidos, e retorno a Assunção no dia 20, com parada em Washington.

O Gulfstream era citado com frequência por Vorcaro em conversas. Em diálogos com a ex-noiva Martha Graeff, ele mencionou a aeronave cinco vezes. Martha usou o avião em 1º de junho de 2024 para encontrar Vorcaro em Arusha, na Tanzânia. Em 20 de agosto daquele ano, o casal viajou da Flórida à Croácia. Em 29 de dezembro, Martha usou o jatinho para encontrar Vorcaro em São Paulo.

Em 2025, houve duas menções: um voo de Martha em 12 de maio, da Flórida para São Paulo, e um voo de Vorcaro de Gênova, na Itália, para Orlando, em 29 de agosto, seguindo no dia seguinte para São Paulo.

Em 28 de março de 2025, o BRB (Banco de Brasília) anunciou que compraria 58% das ações do Master. Os dois últimos voos do ex-banqueiro no avião ocorreram enquanto ele tentava viabilizar a operação, que foi vetada pelo Banco Central em 3 de setembro.

Vorcaro também emprestava a aeronave a outras pessoas. Segundo a revista Piauí, o nome de Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, aparece na lista de passageiros de uma viagem a Nova York. Os nomes teriam sido encaminhados pelo próprio Vorcaro ao administrador de sua frota. Faria disse à Piauí que pagou pela viagem.

Registros do aeroporto executivo de Brasília mostram que Vorcaro usou o jatinho em 2 de fevereiro de 2025 para ir de Brasília a Trancoso, na Bahia.

Em setembro de 2025, Vorcaro vendeu 55% da Viking ao Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Segundo o agente responsável pela liquidação do banco, a operação manteve a empresa sob domínio do grupo. O Stern pertence aos fundos Nauatle, com sede no Brasil, e Faex Fund, domiciliado nas Bahamas. O Nauatle também pertence ao Faex Fund. O liquidante do Master afirma que o Faex Fund pertence ao próprio Master.

Sobre o autor: Equipe Editorial

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