O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou neste domingo (2) que aceitará o resultado das urnas e disse acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será diferente do de 2022. A declaração foi dada durante o programa Canal Livre, da Band News.
Questionado se aceitaria formalmente o resultado, Flávio respondeu: “Eu vou aceitar, vou concorrer com essas regras. E eu tenho certeza que o TSE, diferente do de 2022, vai ser um TSE imparcial e que vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência”.
O senador afirmou que o tribunal seria o maior interessado na normalidade das eleições, mas disse que essa não era a situação no pleito passado. Ele reclamou da multa de R$ 22 milhões aplicada pelo então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, contra o PL. Em 2026, o comando do TSE será dos ministros Kassio Nunes Marques (presidente) e André Mendonça (vice), ambos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro.
Durante a pré-campanha, Flávio já havia criticado Moraes em outras ocasiões. Em julho, ele afirmou que a proibição de visitas ao pai seria uma tentativa do ministro de interferir nas eleições deste ano. O senador aparece atrás do presidente Lula (PT) nas pesquisas de intenção de voto. O Datafolha de 24 de julho mostrou Lula com 48% no segundo turno, contra 43% de Flávio. No primeiro turno, o petista marca 40%, ante 32%.
O tema da aceitação do resultado voltou à pauta após episódio no dia 21, quando Flávio, assim como o pai, divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Na ocasião, ele afirmou a embaixadores que as urnas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, o que é falso, e citou um relatório da CIA. Ele também pediu que os presentes enviassem observadores estrangeiros para a eleição de 2026.
A Justiça Eleitoral já havia esclarecido, em nota de 2020, que a empresa venezuelana nunca vendeu urnas ou softwares para o Brasil, embora tenha prestado outros serviços, como treinamento de suporte técnico. Neste domingo, Flávio recuou parcialmente e disse que errou ao afirmar que a empresa fornecia as urnas, mas ressaltou que ela participou do processo. Ele recomendou que o público acessasse o site da companhia e repetiu o pedido por “mais segurança e transparência” nas eleições.
“Eu só estou cobrando que o TSE imponha mais camadas de segurança, transparência. Não tô falando contra as urnas”, disse. Ele também afirmou que o assunto é tratado como proibido e que isso seria um sinal de que o Brasil não é uma democracia plena. Ao ser questionado se duvidava dos votos que recebeu em 2022, Flávio respondeu que não. “Esses votos eu tive”.
O candidato repetiu que sua candidatura é de protesto e voltou a criticar o julgamento do pai. Ele disse ainda que, se eleito, pretende aprovar uma anistia durante a transição de governo. Na eleição de 2022, após a derrota de Jair Bolsonaro, houve protestos de cunho golpista que culminaram nos atos de 8 de Janeiro. O ex-presidente não reconheceu publicamente a derrota nem pediu que apoiadores encerrassem as manifestações.
Bolsonaro adotou um comportamento que serviu de estímulo aos protestos. Nos últimos anos, enquanto respondia a processo por tentativa de golpe, ele buscou criar a imagem de que a transição de governo ocorreu com normalidade. Essa versão também foi usada por Flávio na entrevista deste domingo, quando disse que a transição foi pacífica e chamou o julgamento do pai de “farsa” em diversas ocasiões.
