A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1. O texto foi aprovado em dois turnos. No primeiro, recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo, a aprovação foi de 461 votos a 19.
A PEC altera o limite constitucional de horas trabalhadas no país. Pela proposta, a jornada semanal passará das atuais 44 horas para 42 horas em até 60 dias após a promulgação. Depois, haverá uma transição de 14 meses até a redução definitiva para 40 horas semanais.
O texto também muda o formato da escala de trabalho. O modelo atual, de seis dias trabalhados para um de descanso, será substituído por cinco dias de trabalho e dois de folga por semana. Um desses dias de descanso deve ocorrer preferencialmente aos domingos.
A discussão da PEC mobilizou governo, oposição e movimentos sociais. Trabalhistas e sindicatos defendiam a mudança para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Já setores empresariais e parte da oposição alertavam para possíveis impactos econômicos e aumento de custos para as empresas.
Durante a tramitação, partidos apresentaram destaques para alterar o texto. O PL tentou retirar a regra de transição e defendeu o retorno da proposta original da deputada Erika Hilton, que previa jornada de 36 horas semanais em escala 4×3. As tentativas foram derrotadas no plenário.
O governo atuou para manter o acordo em torno do relatório do deputado Léo Prates. Líderes governistas apresentaram uma emenda aglutinativa praticamente idêntica ao texto principal para evitar mudanças que comprometessem a votação.
Com a aprovação na Câmara, a PEC segue agora para o Senado. A proposta enfrentará nova rodada de debates e votações. Parlamentares da oposição já articulam estratégias para alongar a tramitação ou tentar modificar pontos do texto.
A aprovação desta quarta-feira é considerada uma das maiores mudanças nas regras de jornada de trabalho discutidas pelo Congresso nas últimas décadas.
