10/07/2026
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Tesouro, CDB ou poupança: R$ 50 mil rende quanto?

Escolher onde deixar a reserva de emergência parece uma tarefa simples: basta buscar uma aplicação de resgate rápido e que renda mais. No entanto, a liquidez e o retorno são importantes, mas também existem questões relacionadas a risco, valor da aplicação e alinhamento com o perfil do investidor.

O lançamento do Tesouro Reserva chamou a atenção dos agentes financeiros e investidores. O novo título público do Tesouro Direto reúne características importantes para uma reserva de emergência: funciona 24 horas, sete dias por semana; o retorno acompanha 100% da Selic; tem a garantia do Tesouro Nacional; e não tem oscilação de preço ou taxa.

Embora seja inovador como título público, o Tesouro Reserva não é pioneiro em algumas características. O resgate 24/7 já existe em alguns CDBs de bancos e na Poupança. O retorno de 100% da Selic é próximo do que os CDBs oferecem, atrelado ao CDI. A ausência de oscilação de preço e taxa também está presente nos CDBs e na Poupança.

Simulação 1: R$ 50 mil por um ano

Considerando uma taxa Selic constante em 14,5% ao ano, a simulação da XP Investimentos mostra os seguintes resultados líquidos em um ano: Tesouro Reserva rende 12,15%, totalizando R$ 56.070; CDB (100% do CDI) rende 12,30%, totalizando R$ 56.163; Poupança rende 6,17%, totalizando R$ 53.085.

Para um CDB que rende 100% do CDI, praticamente não há diferença em relação ao Tesouro Reserva. O CDI acompanha os juros da Selic, com diferença de casas decimais. No entanto, para uma aplicação de R$ 50 mil, os custos mudam. O Tesouro Selic e o Tesouro Reserva têm isenção de taxa de custódia para aplicações de até R$ 10 mil. Para valores maiores, a taxa é de 0,20% ao ano, custo que CDBs não têm. A diferença ainda é pequena, de menos de R$ 100 por ano.

A diferença maior está no retorno da Poupança, que perde R$ 3 mil em um ano. Mesmo com a cobrança de Imposto de Renda sobre o retorno do CDB e do Tesouro Reserva, a rentabilidade da Poupança, isenta de IR, fica em desvantagem. A alíquota de IR aplicada na simulação é de 15% sobre o rendimento, válida para aplicações acima de dois anos.

Simulação 2: R$ 5 mil por um ano

Com a mesma taxa Selic de 14,5% ao ano, a simulação para R$ 5 mil mostra: Tesouro Reserva rende 12,30%, totalizando R$ 5.616; CDB (100% do CDI) rende 12,30%, totalizando R$ 5.616; Poupança rende 6,17%, totalizando R$ 5.308.

A diferença entre Tesouro Reserva e CDBs que rendem 100% do CDI desaparece. Como o valor está abaixo do limite de R$ 10 mil, a taxa de custódia não é cobrada. A Poupança continua ficando para trás, com cerca de R$ 300 a menos no ano.

A Poupança possui uma “data de aniversário” que marca a liberação do retorno, geralmente 30 dias após o depósito. Se o recurso for retirado antes dessa data, não há crédito de rendimentos no período. Nos demais produtos, a remuneração é proporcional ao tempo de aplicação, contabilizando todos os dias úteis.

Onde o Tesouro Reserva muda o jogo

Se o rendimento do Tesouro Reserva e do CDB são equivalentes, a atenção ao título público está menos na rentabilidade e mais nos fundamentos. O Tesouro Reserva mantém a lógica do Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, mas elimina o ruído do horário de resgate. Ao permitir liquidez 24 horas, rompe com a lógica de janela bancária. Embora existam CDBs 24/7, a maior parte dos títulos ainda oferece resgates no mesmo dia ou no dia útil seguinte, dentro do horário comercial.

Outro ponto é o risco. O Tesouro Reserva tem a garantia de pagamento do Tesouro Nacional, considerado o menor risco de crédito da economia brasileira. No CDB, o risco está associado ao banco emissor. O certificado tem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição, mas não é o mesmo que a garantia da União.

Atualmente, o Tesouro Reserva está restrito à distribuição pelo Banco do Brasil. Somente clientes com conta no banco estatal conseguem comprar. O Tesouro Nacional já afirmou que pretende levar o título público para mais instituições financeiras nos próximos meses. Enquanto isso não acontece, é importante considerar a validade do produto para a carteira de investimentos.

Sobre o autor: Equipe Editorial

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