Colonos atacam jornalistas da AFP na Cisjordânia

Um grupo de colonos israelenses atacou jornalistas da AFP na Cisjordânia durante a cobertura de tensões com palestinos, deixando pelo menos cinco feridos, conforme relatos de repórteres e socorristas.
Uma equipe de três profissionais da Agence France-Presse estava na cidade de Jannatah, perto de Belém, para registrar visitas de solidariedade feitas por ativistas israelenses a palestinos que sofrem assédio de colonos na região.
O ataque aconteceu depois de uma discussão entre colonos e ativistas. O Exército israelense ordenou que os jornalistas deixassem o local, classificando a área como “zona militar fechada”. Em seguida, dois carros ocupados por colonos, incluindo crianças, chegaram e começaram a atirar pedras contra os jornalistas e ativistas.
Um jornalista da AFP conseguiu desviar de uma pedra, mas foi atingido no queixo por uma criança que usava um pedaço de pau, sofrendo um pequeno sangramento. Ao retornarem para os veículos, a equipe encontrou os carros danificados e com pneus furados.
A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino informou que cinco pessoas receberam atendimento médico. Os jornalistas da AFP também disseram ter visto pelo menos um ativista israelense sendo levado em uma ambulância palestina.
Durante o confronto, um soldado israelense chegou a confiscar brevemente a câmera de um repórter, mas a devolveu em seguida. O Exército israelense afirmou que a apreensão temporária do equipamento está sendo investigada. A polícia israelense também abriu uma investigação sobre os danos causados aos veículos, segundo um porta-voz.
Cerca de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Quase três milhões de palestinos vivem na região, onde o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu busca ampliar os assentamentos para conquistar votos do eleitorado de extrema direita antes das eleições de 27 de outubro.
A violência de colonos israelenses contra palestinos aumentou desde o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra em Gaza.
