10/07/2026
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Família com seis dedos em Brasília vira símbolo do hexa na Copa

Família com seis dedos em Brasília vira símbolo do hexa na Copa

Quatorze dos 22 integrantes da família Silva, que mora em Brasília (DF), nasceram com seis dedos nas mãos e nos pés. A condição genética, chamada polidactilia, ganhou um novo significado com a Copa do Mundo. Enquanto a seleção brasileira busca a sexta estrela em 2026, esses brasilienses já carregam o hexa nas mãos.

A característica virou motivo de orgulho e humor na família, principalmente em época de Copa. A servidora pública Silvia Santos da Silva, de 63 anos, brinca com a situação. “Eu já sou hexa. O Brasil é que tem que correr atrás”, disse ela. A frase foi publicada nas redes sociais durante a Copa de 2014, junto com uma foto da mão, e viralizou no Facebook.

Desde então, a família passou a receber jornalistas de vários países. Veículos como Washington Post, USA Today e The Independent associaram os seis dedos ao sonho da sexta estrela da seleção. No bairro de Águas Claras, em Brasília, os Silva ficaram conhecidos como “Família Hexa”.

A condição genética é tão comum entre eles que muda a expectativa durante uma gravidez. A preocupação com o sexo do bebê fica em segundo plano. O advogado Assis Santos da Silva, de 66 anos, irmão de Silvia, explica. “Perguntamos se tem seis ou cinco dedos. É uma questão de torcida em prol do seis. Isso desde o ultrassom. Se tem cinco (dedos), aí a pergunta é se é menino ou menina.”

A história começou antes da fama das Copas. A característica surgiu em gerações anteriores, ainda no Maranhão. O pai de Silvia, Francisco de Assis Carvalho da Silva, transformou a diferença em orgulho. Advogado, músico e dono da carteira número 1 do Clube do Choro de Brasília, ele ganhou o apelido de “Six”. Ensinou os filhos a ver os dedos extras sem constrangimento. Dos cinco filhos dele, quatro herdaram a característica.

A curiosidade das pessoas continua. Colegas de trabalho perguntam como eles escrevem ou seguram objetos. Crianças observam e pedem para ver as mãos. A família sempre tratou a situação de forma aberta. Uma das filhas de Silvia retirou o sexto dedo dos pés por questões estéticas, já que os seis dedos não se encaixavam bem em calçados abertos. Homens sentem incômodo com sapatos de bico fino. Para tarefas manuais, como usar uma tesoura, eles adaptam a pegada, dividindo a mão com dois dedos de um lado e quatro do outro.

A condição também despertou interesse científico. Silvia e o filho, João de Assis, participaram de pesquisas na Universidade de Freiburg, na Alemanha, em 2017. O estudo, em parceria com instituições britânicas e suíças, concluiu que pessoas com seis dedos têm músculos, nervos e áreas cerebrais específicas para controlar o dedo extra. A estrutura amplia as possibilidades de movimento, sem sobrecarregar o cérebro.

João de Assis da Silva Carneiro, hoje engenheiro de software, considera a experiência marcante. “Foi uma oportunidade para descobrir como nossa biomecânica funciona. É bom saber que podemos usar nossa característica para ajudar no desenvolvimento de ferramentas que possam beneficiar outras pessoas no futuro.” Os dados foram usados como referência para a engenharia e a robótica, com o objetivo de criar próteses de aumento, como braços ou dedos robóticos extras, para auxiliar cirurgiões.

Sobre o autor: Equipe Editorial

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